sábado, 31 de janeiro de 2015

DESERTINO


Escrevo de luto coberto
Para matar a minha fome
Palavras neste (D)eserto
No fogo que me consome
Escrevo gritando verbos
Palavras fortes e quentes
Deixando escapar sussurros
Murmúrios leves entre dentes
Contudo os meus pensamentos
Antes de se tornarem palavra
Ecoam na minha alma
São a palavra que salva
São gritos, gemidos, são urros
Que me fazem sentir vivo
São sangue vermelho de raiva
São vida são morte são tudo
São desespero, são pedido
São a voz de um mendigo
São religião, sociologia, avião
São ave, são lava, vulcão
São autocarro, camião
São palavras do profeta
São discurso
São poeta

São...

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