O poeta saiu
à rua
Calçou a
calçada nua
Percorreu a
passos largos
Esqueceu o
sono e os cansaços
Lembrou-se
desses outros abraços
Bebidos a
longos, longos tragos…
O poeta traz
na mão esse seu último poema
O poeta traz
na alma esses seus livros sonhados
Passa fome…
não tem cama… perde-se nesses beirais
Como as
andorinhas fazendo ninho
Nesses telhados
alheios
Nesses
abrigos constantes
Ontem e
hoje… tal como dantes…
E o poeta
remexe nos seus manuscritos mais íntimos
E o poeta
cresce nesses paraísos de morte
Abandonado à
sua sorte
Como quem a
morte adivinha
E a sua musa
e mulher
Que envelheceu
a seu lado
Numa ou
noutra rua qualquer
Dá-lhe o
mote… canta-lhe o fado…
E o poeta
deseja…
Uma e outra
vez
De um e dois
sermos três
Parindo
esses versos que crescem
Nas bocas do
mundo lá fora
Calando as
invejas que descem
Pelos
ouvidos dos outros
Fazendo a
campa do poeta
Que morre
pela caneta
Sempre que a
morte deseja
E mais um
poema nasce
Pelo amor
que se enseja…
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