sábado, 31 de janeiro de 2015

LIXO


Chamas a morte que é tua
Pelas chamas do inferno
Despertas da ressaca na rua
Nesse mortífero Inverno
Da pouca sorte que é tua
Que te mata lentamente
Comes a fome de manhã
Com que te deitas à noite
A rua é a tua casa
A calçada o travesseiro
O cartão a tua manta
E a chuva o teu chuveiro
E muito frequentemente
Quando mendigas por caridade
Insultam-te ofendendo
A tua grande dignidade
De mais do que os outros tu seres
A sobrevivência em pessoa
Vivendo essa vida sofrida
Que nenhum outro deseja
Mas que é a tua vida
Que procuras nesse caixote
Alimentando-te do lixo
Que dos outros sobeja
Mas que para ti é alimento
A própria vida num momento
Esse rico maná do céu
Do qual tu te alimentas

De um lixo que não é teu…

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