Chamas a
morte que é tua
Pelas chamas
do inferno
Despertas da
ressaca na rua
Nesse
mortífero Inverno
Da pouca
sorte que é tua
Que te mata
lentamente
Comes a fome
de manhã
Com que te
deitas à noite
A rua é a
tua casa
A calçada o
travesseiro
O cartão a
tua manta
E a chuva o
teu chuveiro
E muito
frequentemente
Quando
mendigas por caridade
Insultam-te
ofendendo
A tua grande
dignidade
De mais do
que os outros tu seres
A
sobrevivência em pessoa
Vivendo essa
vida sofrida
Que nenhum
outro deseja
Mas que é a
tua vida
Que procuras
nesse caixote
Alimentando-te
do lixo
Que dos
outros sobeja
Mas que para
ti é alimento
A própria
vida num momento
Esse rico
maná do céu
Do qual tu
te alimentas
De um lixo
que não é teu…
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