sábado, 31 de janeiro de 2015

INTRODUÇÃO





A palavra inventa-se e constrói-se. Todas as palavras foram inventadas. Todas as palavras foram construídas… Todas as palavras foram desejadas. Filhas do sonho e do desejo… Filhas do tempo… perdem-se na memória dos homens que já não se lembram de como tudo começou. Os Pais ensinam os filhos, envelhecem e tornam-se Avós, tornando-se os netos Pais… E pela ordem natural das coisas, pela espiral do Tempo que se desenrola num movimento de Fermat… perdemos muitas vezes de vista o ponto de partida. Caminhamos sem olhar para trás. Caminhamos olhando sempre de olhos postos no presente e no futuro e esquecemos com demasiada facilidade o passado. E aqui cometemos o maior erro de todos. Esquecemos de onde viemos, negamos o ponto de partida e quando nos apercebemos do que fizemos já vamos tarde. Perdemos o Norte, desorientamo-nos, ficamos cegos… E deixamos de saber para onde vamos. O futuro passa então a ser almejado não com uma base sustentável, equilibrada e natural e passa a ser construído na ambição, na avareza, na sede de poder, no desejo de conquista. A alma apodrece corrompida e comprometemos o futuro das gerações vindouras sem termos o direito de o fazer. E quando alguém nos fala do futuro muitas vezes dizemos assim: - «Não sei… já cá não estou…»… Mas sem o rejuvenescer da alma não há futuro… E aqui reside o cerne da questão. As crianças são geniais, as crianças ensinam-nos todos os dias, as crianças são a chave para a compreensão do Universo. Pois só elas conseguem tornar o complexo em algo tão simples e acessível. Pois só elas conseguem ver o óbvio. E é aqui que nasce a palavra, é aqui que se inventa e reinventa a palavra. É aqui que a língua evolui e cresce. É aqui que está o nosso futuro, o futuro do património colectivo que é a língua Portuguesa. Língua que não é de ninguém mas sim de todos. E que terá de evoluir de uma forma natural com a aprovação de todos… Se eu inventar as palavras: Trovestar; Muselino; Zumbinar… e se calhar algumas já constam dos dicionários... Se eu ousar dizer que vou inventar uma palavra… Qualquer pessoa de mente fechada vai rir-se de mim. Porque afinal de contas #é uma coisa de criança#; #uma imbecilidade#; #é uma palavra que não existe#... Mesmo este sinal gráfico que eu estou a usar agora ( # ) não será aceite pela comunidade #é estranho#; #isso não existe#; #está errado, é uma gralha#. Quando afinal de contas ( # ) significa que o que este sinal contem é um #pensamento# sem ter que escrever no texto: - «Pensou ela, pensou ele, pensámos nós…»… Oferecendo assim uma panóplia de combinações estilísticas que enriquecem a escrita de uma forma que ainda não foi explorada… Porque temos medo de criar algo de novo… Porque temos um medo visceral relativamente a tudo o que é desconhecido…

Se tens um espírito aberto… Se ainda deitas a língua de fora… Se usas um penteado estranho ou se não te penteias de todo certamente compreenderás este desabafo…

Caso contrário… O melhor é mesmo não teres lido o que escrevi… Se assim for faz por esquecer e perdoa-me a minha ousadia…


Bem Hajas

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