A palavra inventa-se e constrói-se. Todas as palavras foram
inventadas. Todas as palavras foram construídas… Todas as palavras foram
desejadas. Filhas do sonho e do desejo… Filhas do tempo… perdem-se na memória
dos homens que já não se lembram de como tudo começou. Os Pais ensinam os
filhos, envelhecem e tornam-se Avós, tornando-se os netos Pais… E pela ordem
natural das coisas, pela espiral do Tempo que se desenrola num movimento de Fermat… perdemos muitas vezes de vista o
ponto de partida. Caminhamos sem olhar para trás. Caminhamos olhando sempre de
olhos postos no presente e no futuro e esquecemos com demasiada facilidade o
passado. E aqui cometemos o maior erro de todos. Esquecemos de onde viemos,
negamos o ponto de partida e quando nos apercebemos do que fizemos já vamos
tarde. Perdemos o Norte, desorientamo-nos, ficamos cegos… E deixamos de saber
para onde vamos. O futuro passa então a ser almejado não com uma base
sustentável, equilibrada e natural e passa a ser construído na ambição, na
avareza, na sede de poder, no desejo de conquista. A alma apodrece corrompida e
comprometemos o futuro das gerações vindouras sem termos o direito de o fazer.
E quando alguém nos fala do futuro muitas vezes dizemos assim: - «Não sei… já cá
não estou…»… Mas sem o rejuvenescer da alma não há futuro… E aqui reside o
cerne da questão. As crianças são geniais, as crianças ensinam-nos todos os
dias, as crianças são a chave para a compreensão do Universo. Pois só elas
conseguem tornar o complexo em algo tão simples e acessível. Pois só elas
conseguem ver o óbvio. E é aqui que nasce a palavra, é aqui que se inventa e
reinventa a palavra. É aqui que a língua evolui e cresce. É aqui que está o
nosso futuro, o futuro do património colectivo que é a língua Portuguesa.
Língua que não é de ninguém mas sim de todos. E que terá de evoluir de uma
forma natural com a aprovação de todos… Se eu inventar as palavras: Trovestar; Muselino; Zumbinar… e se
calhar algumas já constam dos dicionários... Se eu ousar dizer que vou inventar
uma palavra… Qualquer pessoa de mente fechada vai rir-se de mim. Porque afinal de contas #é
uma coisa de criança#; #uma imbecilidade#; #é uma palavra que não existe#...
Mesmo este sinal gráfico que eu estou a usar agora ( # ) não será aceite pela
comunidade #é estranho#; #isso não existe#; #está errado, é uma gralha#. Quando
afinal de contas ( # ) significa que o que este sinal contem é um #pensamento#
sem ter que escrever no texto: - «Pensou ela, pensou ele, pensámos nós…»…
Oferecendo assim uma panóplia de combinações estilísticas que enriquecem a
escrita de uma forma que ainda não foi explorada… Porque temos medo de criar
algo de novo… Porque temos um medo visceral relativamente a tudo o que é
desconhecido…
Se tens um espírito
aberto… Se ainda deitas a língua de fora… Se usas um penteado estranho ou se
não te penteias de todo certamente compreenderás este desabafo…
Caso contrário… O
melhor é mesmo não teres lido o que escrevi… Se assim for faz por esquecer e
perdoa-me a minha ousadia…
Bem Hajas